Arco-íris da vida

Wednesday, January 11, 2006

A Indisciplina

Como não podia deixar de ser e, uma vez que me encontro ligada à educação, sou também afectada, de uma forma ou de outra, pelo fenómeno real da indisciplina, um tema ainda controverso entre os docentes . Afirmo isto, tendo por base um, talvez insignificante, trabalho de investigação, recentemente realizado, do qual fiz parte e que foi do meu inteiro agrado. Para a realização do mesmo, foram aplicados 140 inquéritos por questionário, a professores do 1º CEB, pertencentes a cinco Escolas Básicas da ilha de São Miguel, dos quais se recolheram 106.
Aqui apresento algumas conclusões desse estudo, que considero mais relevantes e que espero, sirvam de reflexão a quem se interesse pelo tema.
"Tendo-se assistido, nos últimos anos, à passagem de muitas funções, que anteriormente eram apenas do domínio da família, para a escola, esta “… tem vindo progressivamente a alargar o seu campo de intervenção…” (Benavente et al 1993 cit in Caldeira 2000:308).
Segundo (Esteves 1992, Estrela 1991 cit in Caldeira 2000) os comportamentos indisciplinados traduzem-se em consequências nefastas para a aprendizagem e socialização dos alunos e para o mal-estar dos professores. A preocupação de qualquer professor é, antes de pretender transmitir saberes, manter um ambiente disciplinador na sua sala de aula, de modo a garantir o sucesso educativo dos alunos, por um lado, e por outro lado, promover a sua realização pessoal.
Para proceder à nossa investigação, orientámo-nos por um conjunto de variáveis, nomeadamente, concepções/crenças/perspectivas, idade, sexo e experiência profissional, incidindo-as no professor, pois, segundo Caldeira (2000), cabe a este desempenhar o papel de organizador das aulas, podendo, deste modo, corrigir e/ou prevenir o problema de indisciplina na sua sala de aula. Estrela (1992) menciona que o professor é um intérprete do currículo, uma vez que ele o adapta à realidade da escola e às características dos seus alunos. Antes de mais ele é um agente activo, porque as ordens que lhe são ministradas não são apenas por ele executadas, mas sim adaptadas aos problemas da comunidade educativa com a qual trabalha, de modo a dar resposta às suas necessidades e expectativas.
Partindo de cada uma das variáveis, delineámos hipóteses, com vista a validar o nosso estudo.
Terminada a nossa investigação, impõe-se dizer que as hipóteses, por nós levantadas, não foram validadas pelos resultados obtidos, supostamente, porque a ocorrência de indisciplina parece não estar relacionada com a idade, o sexo e a experiência profissional dos docentes.
Por outro lado, observamos que as concepções/crenças/perspectivas sobre o comportamento disciplinar, independentemente das variáveis em estudo, tiveram o mesmo padrão de resposta.
Contudo, podemos considerar que os resultados obtidos foram, de certa forma, satisfatórios, na medida em que se assemelharam ao que foi descrito em outros estudos, da bibliografia apresentada, não contradizendo as expectativas e servindo os objectivos neles propostos.
Após a revisão da literatura, constatámos que, aquando da realização do questionário, nomeadamente, na terceira parte, que se reporta aos comportamentos de resposta do professor, incidimos apenas em medidas correctivas, esquecendo as preventivas e as punitivas, em virtude de serem as primeiras as que se praticam, e que estão legisladas, no nosso nível de ensino, perante casos efectivos de indisciplina.
Em face dos resultados obtidos neste estudo, parece pertinente referir que na possibilidade de um trabalho futuro, e em nosso entender, seria relevante enveredar para uma investigação/acção, de modo a confirmarmos se os comportamentos que os professores dizem adoptar perante casos de indisciplina e a sua eficácia, são efectivamente os que foram recolhidos no nosso inquérito por questionário. Dessa forma, poderíamos obter um estudo qualitativo, em detrimento de um quantitativo. Esta poderá ser uma pista que ficará em aberto para investigações futuras.
A realização deste trabalho sensibilizou-nos para a importância de efectuarmos investigações sobre temas relacionados com a nossa prática pedagógica, de forma, a evoluirmos como profissionais da educação, procurando estratégias que privilegiem o auto-desenvolvimento de aprendizagem e a produção de conhecimentos sobre a realidade e as transformações no contexto pedagógico.
Finalizando, convém reter a ideia de que a indisciplina está intimamente relacionada e associada ao contexto escolar. O comportamento disruptivo é um reflexo da própria singularidade do indivíduo e do contexto pedagógico, social e cultural da comunidade onde ele se insere. Nesta medida, não nos podemos esquecer da importância das regras, normas e valores no desenvolvimento integral do aluno, assim como das experiências promovidas pela escola, que impulsionarão o projecto de vida do aluno".

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