Arco-íris da vida

Saturday, February 04, 2006

Eclipse


Acabei de ler outro livro, desta vez um clássico da literatura contemporânea. "Eclipse" de Jonh Banville, foi comprado na feira do livro, em Novembro passado. Inicialmente paraceu-me complicado e confuso, no entanto, continuei a sua leitura, sempre na expectativa de se desvendar o mistério de tão complexa narrativa. Finalmente, quase no final, compreendi a dimensão da dor sentida pelos pais que acabam de perder a única filha.

Um actor decide inesperadamente deixar a família e abandonar a sua carreira, para se refugiar na casa onde passara a sua infância. Pretende sobretudo, com esse gesto radical, que muito pouca gente compreende, afastar-se das pressões da sua vida, retirando-se do mundo por algum tempo. Mas isso virá a revelar-se impossível: porque a casa onde espera encontrar paz é uma casa cheia de presenças, uma casa habitada por memórias, amistosas umas, amargas outras, todas perturbadoras e desconcertantes.

Recomendo.

Thursday, February 02, 2006

DIA DOS AMIGOS



Quatro semanas antes do Carnaval, na quinta-feira de cada uma delas, comemora-se, nos Açores, o dia dos amigos, o dia das amigas, o dia dos compadres e o dia das comadres, respectivamente. É uma tradição que se encontra cada vez mais enraizada, tendo-se juntado alguns pormenores modernos, tais como os strips nos bares e pubs.

Hoje é o tão esperado dia dos amigos. Os homens juntam-se e vão jantar a restaurantes/pubs/bares que já estão preparados para a ocasião. A ementa é à escolha, mas não devem faltar os pratos típicos açoreanos, bem como as sobremesas, que nesta época se conta com as malassadas, arroz doce, fatias douradas, coscorões, etc, tudo muito bem regado com um vinho à maneira. Depois de bem comer e beber, lá vem a tão esperada hora: a do striptease feminino. Claro que isto já não faz parte da tradição, é um acréscimo dos tempos modernos. No entanto, há ainda amigos (poucos) que preferem respeitar a tradição. A partir da meia noite, nos pubs e bares, começa o pézinho de dança e a entrada é livre para as senhoras (só as mais afoitas é que se atrevem a sair nesta noite). É, portanto uma noite só para eles.

No dia das amigas, na próxima quinta-feira, a farra é semelhante, com direito a striptease masculino, para as mais ousadas. A única diferença é que as mulheres dão prendas às suas melhores amigas, ou então, fazem o jogo das "amigas invisíveis", ou seja, dão uma prenda à amiga cujo nome lhe saiu no sorteio, previamente combinado pelo grupo. Geralmente, na altura da entrega da prenda, descobre-se quem a deu, mas para respeitar a tradição, a amiga deveria manter-se sempre em segredo. É também uma noite só para elas e a entrada nos bares é gratuita para eles.

O dia dos compadres e das comadres já não é vivido tão intensamente como os anteriores, mas trocam-se telefonemas ou sms, entre compadres e comadres.

Nas nossas escolas estes dias são também comemorados. Nesta época, nas áreas de Formação Cívica e Língua Portuguesa, é trabalhado o tema da amizade, onde se reforça o valor da amizade e a importância dos amigos. Há também quem aproveite a época para explorar esta tradição na disciplina de Área de Projecto. Tanto no dia dos amigos, como no dia das amigas, trocam-se postais ou cartas entre os amigos mais chegados, e também se faz o jogo das "amigas invisíveis" na turma. Nestes dias, costumamos fazer um lanche-convívio onde não faltam as malassadas e o arroz doce.

E como não podia deixar de ser aqui deixo um poema sobre a amizade.


Amigos verdadeiros, são para sempre porque...

não importa a distância,no coração estarão sempre perto.

não importam as diferenças,no coração sempre terão um ponto de acordo.

não importam as brigas,no coração sempre haverá lugar para o perdão.

não importam circunstancias,

sempre haverá um ombro para recostar,

mãos para ajudar,

olhos para enxergar e chorar de alegria e dor,

bocas para expressar as verdades e sorrir.

Amigos, verdadeiros são para sempre,

porquequando dois corações se unem, formando um só,

DEUS se manifesta ali,

através do amor e o amor é mais forte que a morte,

é benigno, paciente, tudo sofre, crê, supera.

não se ufana, nem se ensoberbece,

apenas ...ama.certamente, permanece.

beijos no coração.


ALESSANDRA SANTOS LIMA NASCIMENTO

Saturday, January 21, 2006

Livros



Um dos meus passatempos preferidos é a leitura, especialmente romances. Às 13h e 20m da manhã de hoje terminei mais uma leitura, pois esta quando é interessante, faz-me perder a noção do tempo. "O presságio da sereia" foi uma prenda deste Natal passado. É, sem dúvida, mais um livro envolvente e que transporta qualquer pessoa para algumas recordações da sua infância.
Os segredos mais profundos arrastam consigo correntes sombrias. Cass Brainbridge está a viver tempos estranhos. Daí que deixe Londres para aceitar um emprego de assistente universitária na costa sul da Grã-Bretanha. Mas serão um novo emprego e uma nova cidade sinónimos de uma nova vida? Não. Principalmente se já se traz alguma bagagem indesejável. As memórias dolorosas de um segredo que acabou de destruir o que restava da sua já problemática infância e mudou a sua vida para sempre começam então a assombrá-la. E a crescente sensação de que está a ser observada, numa altura em que violentos ataques a estudantes estão a ocorrer em pleno campus universitário, transforma o seu receio num avassalador redemoinho de pânico que ameaça sugá-la. Será ela a próxima vítima? Ou haverá uma razão mais sinistra para que tenha sido precisamente Cass a ser transformada em alvo? Além disso, Brighton não é uma escolha natural para uma mulher com um já antigo medo do mar. Cass pode ter tentado encerrar um capítulo da sua vida ao deixar Londres, mas cedo vai descobrir que alguns elementos da sua nova existência são igualmente perturbantes.
Quem pode ficar indiferente perante a leitura deste pequeno excerto de uma carta de um filho à sua mãe, que nem conhece.
"Espero que não tenhas vergonha de mim. Apesar dos meus começos instáveis, sempre fiz tudo o que me pediram. Portei-me bem, passei nos exames, não me meti em sarilhos. É verdade que tenho dificuldades em confiar nas pessoas e em relacionar-me com elas. E às vezes sinto invadir-me uma raiva tão violenta que me apetece bater em qualquer coisa, causar a alguém este sofrimento. E quando a escuridão me envolve, só consigo pensar: que fiz eu para assim me rejeitares?"

Friday, January 20, 2006

Poema sobre a recusa





Poema sobre a recusa
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

M. Teresa Horta

Thursday, January 19, 2006

OLHOS NOS OLHOS

OLHOS NOS OLHOS
Olha-me nos olhos e diz-me o que vês.
Paixão? Amor? Solidão? Lamento?
Olha-me nos olhos!
O que tenho cá dentro?

Os olhos não mentem.
São o espelho da alma, dizem.
Denunciam a mentira.
Exibem a verdade.
São o nosso sofrimento; amor; saudade.

Olha-me nos olhos e diz-me o que vês.
Acreditas agora que estás dentro de mim?
O olhar não mente.
Os Homens, sim.

Tuesday, January 17, 2006

Ditados Populares



Os ditados populares são frases que têm passado de geração em geração e que eram seguidos à risca pela maioria das pessoas. Actualmente, ainda há quem o faça, ou, pelo menos, cada um de nós já as deve ter ouvido. A recolha dos provérbios e ditados populares foi um trabalho realizado pela minha turma do 3º ano (2003/2004) no âmbito da disciplina Área de Projecto. A escolha não foi fácil, uma vez que se obtiveram milhares de resultados, no entanto, estes que se seguem são, de facto, os mais usados no meio escolar envolvente.


A bom entendedor, meia palavra basta.
A cavalo dado, não se olha o dente.
A curiosidade matou o gato.
A galinha da vizinha é muito melhor que a minha.
A união faz a força.
Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Águas passadas não movem moinhos.
Amigos, amigos, negócios à parte.

Amor com amor se paga.
Ande o frio por onde andar, há-de vir pelo Natal.
Ano novo, vida nova.
Antes que cases, vê o que fazes.
As aparências iludem.
Burro velho não aprende.
Cá se fazem, cá se pagam.
Cada cabeça, sua sentença.
Cada macaco no seu galho.
Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.
Cão que ladra não morde.
Casa onde não há pão,todos ralham e ninguém tem razão.
Casa roubada, trancas à porta.
Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.
Com papas e bolos se enganam os tolos.
Com vinagre não se apanham moscas.
De boas intenções está o inferno cheio.
De noite, todos os gatos são pardos.
De Todos-os-Santos ao Natal, é Inverno natural.
Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.
Depressa e bem, não há quem.
Deus ajuda quem cedo madruga.
Deus dá nozes a quem não tem dentes.
Deus escreve direito por linhas tortas.
Devagar se vai ao longe.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.
Em Abril, águas mil.
Em casa de ferreiro, espeto de pau.
Em terra de cegos, quem tem olho é rei.
Enquanto há vida, há esperança.
Entre marido e mulher não se mete a colher.
Errar é humano.
Filho de peixe sabe nadar.
Filho és, pai serás, assim como fizeres, assim acharás.
Gaivotas em terra, tempestade no mar.
Gato escaldado de água fria tem medo.
Gordura é formosura.
Grão a grão enche a galinha o papo.
Há males que vêm por bem.
Homem prevenido vale por dois.
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
Longe da vista, longe do coração.

Mais vale cair em graça que ser engraçado.
Mais vale só do que mal acompanhado.
Mais vale tarde do que nunca.
Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.
Mãos frias, coração quente, amor ardente.
Mãos quentes, coração frio, amor vadio.
Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
Não há fumo sem fogo.
Não há rosas sem espinhos.
Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.
Nem tudo o que luz é ouro.
Nem tudo o que vem à rede é peixe.
No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
No meio é que está a virtude.
No melhor pano cai a nódoa.
No poupar é que está o ganho.
Nunca digas "desta água não beberei".
O fim justifica os meios.
O fruto proibido é o mais apetecido.
O que não mata engorda.
O que os olhos não vêem, o coração não sente.
O saber não ocupa lugar.
O segredo é a alma do negócio.
O seguro morreu de velho.
O sol quando nasce é para todos.
Os homens não se medem aos palmos.
Para grandes males, grandes remédios.
Patrão fora, dia santo na loja.
Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
Pela boca morre o peixe.
Perdido por cem, perdido por mil.
Presunção e água benta, cada um toma a que quer.
Quando a esmola é grande o pobre desconfia.
Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas.
Quanto mais juras, mais mentes.
Quanto mais me bates, mais gosto de ti.
Quanto mais se tem, mais se quer.
Quem ama o feio, bonito lhe parece.
Quem cala consente.
Quem canta seus males espanta.
Tristezas não pagam dívidas.
Quem casa, quer casa.
Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Quem dá e volta a tirar, ao inferno vai parar.
Quem desdenha quer comprar.
Quem espera desespera.
Quem espera sempre alcança.
Quem mais alto subir, ao mais baixo vai cair.
Quem muito fala, pouco acerta.
Quem não arrisca, não petisca.
Quem não chora, não mama.
Quem não deve, não teme.
Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele.
Quem não trabuca, não manduca.
Quem sai aos seus não degenera.
Quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Quem te avisa, amigo é.
Quem tem boca vai a Roma.
Quem tudo quer, tudo perde.
Quem vai ao mar avia-se em terra.
Quem vai ao mar perde o lugar.
Quem vê caras não vê corações.
Ralham as comadres, sabem-se as verdades.
Rei morto, rei posto.
Setembro molhado, figo estragado.
Sorte ao jogo, azar ao amor.
Tal pai, tal filho.
Uma desgraça nunca vem só.
Vão-se os anéis, ficam os dedos.
Vaso ruim não quebra.

Friday, January 13, 2006

Fotos da minha ilha




Algumas fotos da costa norte da ilha de São Miguel.

Procura

"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
Antoine de St. Exupery